Ato por democracia e contra Bolsonaro acaba em choque com a polícia em São Paulo

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Um protesto a favor da democracia convocado por torcidas organizadas de futebol transformou a avenida Paulista num cenário de descalabro, na tarde deste domingo. A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo, que improvisou algumas poucas barricadas nas ruas e atirou paus e pedras em resposta.

Ao que tudo indica, a confusão começou quando um grupo de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro portando bandeiras de grupos neonazistas europeus foi provocar os manifestantes antifascistas. No local aconteciam dois atos simultaneamente, sendo um deles de apoiadores radicais do Governo. Para separar os grupos, a PM fez, inicialmente, um cordão de isolamento entre os dois lados, cada um em uma pista.

As torcidas organizadas foram às ruas como forma de se antepor aos atos bolsonaristas, que acontecem desde o início da quarentena em várias cidades do país e em Brasília contam até com a presença do presidente, como ocorreu novamente neste domingo —em muitos deles, os manifestantes pedem o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso, além de um golpe militar.

A manifestação pró-democracia, que contou com centenas de pessoas, foi convocada pelas redes sociais e Whatsapp por grupos de torcedores do Corinthians, Santos e Palmeiras ligados ao movimento antifascista. Apesar do momento de pandemia do coronavírus, estas agremiações entenderam que era necessário fazer um contraponto aos atos a favor da intervenção militar. Aos gritos de “Democracia! Democracia!”, a marcha caminhou até a altura do Museu de Artes de São Paulo (MASP).

Imagens das televisões mostram simpatizantes do presidente provocando o tumulto, que começou por volta de 13h45. Paulo Henrique, um dos participantes do ato, afirmou que três pessoas fardadas ligadas ao grupo pró-Bolsonaro provocaram os manifestantes, “e aí veio toda a Tropa de Choque em cima”, versão corroborada pelo secretário-executivo da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, em entrevista à rede CNN. “Do nada, a tropa da PM começou a atacar a gente”, comentou um rapaz de preto que cobria os olhos vermelhos, afetados pela fumaça das bombas de gás lacrimogêneo. Paulo Henrique, contudo, explicou que os três fardados caminharam na mesma pista em que estava o ato antifascista, algo que a polícia havia evitado desde o início. No encontro, alguns integrantes agrediram os fardados, o que teria acendido a fagulha que disparou a confusão e colocou os antifascistas no alvo da PM.

A partir dali, começou uma ação dirigida para dispersar o movimento antifascista da avenida, enquanto os radicais pró Bolsonaro ficaram de lado. Os policiais fizeram uma parede humana nas duas pistas da avenida, protegidos por escudo, mais ou menos na altura do MASP. A partir dali, avançavam pela Paulista disparando seguidamente bombas de gás lacrimogêneo, afastando os manifestantes que corriam para o sentido da Consolação, oposto à barreira policial. Os manifestantes, porém, em sua grande maioria homens, procuraram resistir ao ataque da polícia, reclamando que estavam sendo hostilizados, o que não aconteceu com o grupo pró-nazismo.

Imagens feitas por manifestantes mostram um homem com farda militar segurando uma bandeira do partido ucraniano Pravyy Sektor, ligado à extrema-direita e a grupos neonazistas, provocando quem participava do ato à favor da democracia. Na semana passada uma bandeira desta mesma agremiação radical foi vista em um carro de som durante ato de apoio ao presidente. Na Internet também circulam vídeos de uma simpatizante bolsonarista com um taco de baseball na mão sendo escoltada para fora da Paulista por policiais.

Na região do Conjunto Nacional, os manifestantes procuraram se proteger com grades de proteção que ficam junto a um shopping de compras daquele quarteirão. Atiraram pedras na polícia, e resistiam aos gritos de “Democracia”. Uma caçamba foi virada e foi colocado em entulho para marcar distância da polícia. Fotógrafos se posicionaram atrás dessa caçamba para fazer fotos do bloco da PM pouco antes das 16 horas. Desta forma, um grupo de ativistas se atreveu a fazer uma pequena barreira de costas para os policiais com escudos e de frente para os fotógrafos, com os braços erguidos gritando “De-mo-cra-cia”. (Fonte: El País)

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