Barroso: ação de “milícias digitais” não comprometeu eleição

“Há suspeitas de articulação de grupos extremistas que se empenham em desacreditar as instituições”, disse Barroso

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, negou, na tarde de ontem (16/11), a relação dos vazamentos de dados com falhas no sistema que pudessem comprometer a integridade das votações, mas afirmou que a Corte sofreu ataques em massa com propósito difamatório. Segundo Barroso, “milícias digitais” divulgaram informações antigas enquanto as ocorriam, no intuito de “desacreditar o sistema”.

“Há suspeitas de articulação de grupos extremistas que se empenham em desacreditar as instituições, clamam pela volta da ditadura e muitos deles são investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal)”, detalhou o ministro. Ele também pediu ao diretor-geral da Polícia Federal a instauração de uma investigação “séria e ampla”, como descreveu.

Ao comentar a defesa ao voto impresso e comentários de apoiadores bolsonaristas que especularam ocorrência de fraudes usando, como argumento, os atrasos nas totalizações dos votos, Barroso disse: “Não costumo reclamar publicamente da demora nos outros Poderes e portanto não vou opinar nessa questão específica. A verdade é que o sistema se revelou totalmente confiável e íntegro desde 1996. Nunca se provou nenhum fato que pudesse desacreditar o sistema. Portanto, não há nenhuma razão para se modificar isso. tenho recebido pedidos para se voltar a votação de cédulas. Aí sim havia muitas fraudes”.

Apesar da defesa ao voto eletrônico, o ministro garantiu: “Não somos apaixonados por urnas eletrônicas, mas por votação limpa”. Caso haja documentos, provas que evidenciem erros, Barroso destacou que a reação imediata será investigar.

Atrasos

Durante a coletiva de imprensa, Barroso detalhou os atrasos de mais de duas horas na divulgação dos resultados. Segundo a Secretaria de Tecnologia da Informação, a máquina que fez as contagens era nova e, em razão da pandemia, atrasou para chegar no Brasil. Com isso, dos cinco testes previstos, o equipamento só foi submetido a dois. “Em razão das limitações nos testes prévios, no dia da eleição, a inteligência artificial do equipamento demorou a realizar o aprendizado para processar os dados no volume e velocidade com que chegavam. Daí sua lentidão e travamento que exigiu que a totalização fosse interrompida e reiniciada”, disse o ministro.

Mesmo assim, Barroso afirmou que não houve prejuízo à integridade dos dados, tampouco qualquer fraude nas eleições. Para que o sistema esteja melhor adaptado para o segundo turno, o tribunal pretende fazer pequenos ajustes que sejam necessários ao longo das próximas semanas.

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