Estudantes manifestam contra omissão da UEMA em caso de violência sexual envolvendo alunos

A manifestação aconteceu nos Campus da UEMA de São Luis e do município de Caxias

Alunos da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) vem denunciando casos de abuso sexual entre alunos e até de professores, dentro e fora da instituição. Na última terça-feira, eles realizaram uma manifestação em frente a reitoria, em repúdio a omissão da universidade com o caso da estudante do curso de enfermagem (polo Caxias), Lorenna Carvalho, vítima de violência sexual por parte de um estudante que frequentava a mesma sala de aula.

Lorena, que passou a se manifestar nas redes sociais, levou o caso à justiça. Mas bem antes, já havia prestado queixa na delegacia da cidade. Em consequência do estupro que sofreu, abandonou o curso e voltou para sua cidade natal, o município de Rosário, pois não conseguiu frequentar a mesma sala de aula do seu agressor. Hoje ela vive sob efeitos de medicamentos e até suicídio tentou. Mesmo sabendo do ocorrido, a administração da UEMA se comportou de forma omissa e só se manifestou, por meio de uma nota de repúdio, depois que o caso tomou proporções nas redes sociais por parte da irmã da vítima e posteriormente a própria Lorensa.

“O que doe neste caso da Lorena é que ela teve que sair da cidade, do sonho dela, que era fazer enfermagem. E mesmo que tenha sido fora do campus da Universidade, a gente não pode deixar de buscar uma responsabilização institucional, que forma pessoas, forma profissionais…”, indaga Camilla Doudement, advogada que presta auxílio jurídico a vítimas de violência sexual.

O caso da Lorena, de 18 anos, aconteceu em setembro de 2019. Após sair da universidade, ela e alguns alunos foram fazer uma confraternização, do qual foi ingerido bebidas alcóolicas. Lorenna ficou ao ponto de perder a consciência, ou seja, em situação de vulnerabilidade. Foi nesse momento que seu agressor insistiu em dar-lhe carona, apesar de não serem amigos e nem próximos. Ela tentou pedir um Uber, mas acabou cedendo ao convite.

Lorenna não se recorda como chegou em casa, não se lembra do momento em que se despediu dos outros amigos, estava com sintomas de amnésia alcóolica. Ao acordar, ficou surpresa com a presença do seu agressor em sua casa. A estudante foi vítima de estupro premeditado, que só veio perceber após exames ao sentir dores no corpo. Além do já referido crime, ela sofreu ainda violência institucional por parte da Universidade Estadual do Maranhão, segundo a sua advogada.

Durante esse período, Lorenna teve que conviver com seu agressor dentro da sala de aula, nas mesmas dependências da UEMA que se limitou a não prestar apoio incondicional que uma vítima de violência sexual tem direito. Além de não promover nenhum processo para averiguar a conduta do estudante. Segundo Camila, em nenhum momento a vítima foi acolhida pela instituição, pelo contrário, orientaram a mesma a transferir de campus, de cidade e de mudar toda a sua rotina.

“O que a gente quer da UEMA não é só nota de repúdio, que já foi publicada após o caso ganhar repercussão, mas que tenha políticas dentro da Universidade para combater esse tipo de crime, para que os agressores sintam vergonha e pensem antes de fazer qualquer coisa dentro ou fora da instituição. Então, o que se espera da UEMA é que ela coloque na sua prática de política educacional algumas formas de combater esse tipo de violência. Não só com campanhas, mas com um disk assédio, por exemplo, para as meninas que sofram deste tipo de violência se sintam mais acolhida”, desabafa a Camilla, que abriu inquérito do caso com denúncia oferecida ao Ministério Público sob a responsabilidade da 4ª Promotoria de Caxias.

Nota Uema

Em nota publicada pela Universidade Estadual do Maranhão, a instituição afirma que só teve conhecimento do caso após as publicações nas redes sociais e que “Nesse sentido, a Procuradoria Jurídica da UEMA, por determinação da Reitoria, recorrerá aos órgãos de segurança e ou/ judiciais que estão investigando o caso, a fim de colher informações oficiais e precisas acerca da apuração dos fatos”.  Afirma também que após os exames dos fatos e “nos limites de sua competência e de acordo com seus regimentos, esta IES procederá com a eventual apuração administrativa na modalidade de sindicância”.

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