Mesmo sendo negada pela Anvisa, Flávio Dino vai esperar ‘manifestação de cientistas’ para a autorização da Sputnik V

A Anvisa apontou que não recebeu relatório técnico capaz de comprovar que a vacina atende a padrões de qualidade e não conseguiu localizar o relatório com autoridades de países onde a vacina é aplicada


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou, ontem (26/05) o pedido de autorização excepcional para a importação da vacina Sputnik V, imunizante contra a Covid-19 produzido na Rússia. O órgão afirmou que análise apontou falta de dados e risco de doenças por falha em fabricação da vacina.

A vacina estava sendo esperada por 14 estados, entre eles, Estado do Maranhão.  O governador Flávio Dino (PCdoB), se manifestou hoje (27), sobre a decisão da Agência Nacional Anvisa.  “Sobre decisão da Anvisa quanto à vacina Sputnik, irei aguardar manifestação técnica de cientistas brasileiros e russos. Posteriormente, teremos reunião com governadores da Amazônia e do Nordeste para avaliar fundamentos técnicos, a serem apresentados ao STF e à própria Anvisa”, declarou Flávio Dino.

A Anvisa apontou que não recebeu relatório técnico capaz de comprovar que a vacina atende a padrões de qualidade e não conseguiu localizar o relatório com autoridades de países onde a vacina é aplicada. Entre as diversas falhas identificadas no imunizante, a mais grave é que o adenovírus, usado para carregar o material genético do coronavírus, é capaz de se reproduzir e pode causar doenças.

O relator do processo, Alex Machado Campos, classificou a situação atual da vacina como um “mar de incertezas” e disse que ela aponta um cenário de riscos “impressionante”. “(…) os dias de sim à vacina e aos medicamentos são comemorados. Nós comemoramos sempre. Ocorrerão, conduto, inevitavelmente, dias de não. E ele necessariamente traduzirá o que a razão de existir da Anvisa pode traduzir, que é proteger a saúde da população” – Alex Machado Campos

Pedidos de autorização

O Maranhão é um dos 14 estados do Brasil que pediram autorização para importação emergencial de quase 30 milhões de doses da Sputnik. No dia 9 de abril deste ano, o governo do estado acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que a Anvisa autorizasse a importação e o uso emergencial da vacina no combate a pandemia de Covid-19.

“Maranhão apresentou ao STF uma petição requerendo a autorização à importação da vacina Sputnik. As leis são claras ao permitir a compra pelos Estados. Não há motivo para protelações. O Brasil não pode ficar eternamente no fim da fila das vacinas em nível internacional”, disse Dino. O governador Flávio Dino disse, na ocasião, que a decisão havia sido tomada após a Anvisa não autorizar a importação da vacina, alegando que havia falta de documentos do fabricante.

No pedido, o Maranhão justificava que a Sputnik V já tinha sido submetida a vários testes que comprovaram sua eficácia e segurança contra a Covid-19, sendo utilizada em mais de 50 países, inclusive da América Latina. A petição também citou o estudo sobre a eficácia de 91,6% do imunizante, publicado pela revista científica internacional The Lancet.

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